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sexta-feira, 17 de outubro de 2008

At By For Into Around the House II

Para o André:
As fotografias que eu não tirei (e provavelmente não vou tirar): aqui*
Enjoy :)

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Dear Rothko


Este é o centésimo post deste blogue. Demorei algum tempo a começar a escrevê-lo porque o centésimo post é uma coisa importante - e as coisas importantes paralisam-me. Penso muitas vezes porque é que comecei isto e porque é que o alimento (a ele, ao blogue). Não deve ser por necessidade. Deve ser por divertimento. Ou uma espécie de divertimento. Uma coisa parecida com divertimento, mas para a qual não existe palavra. Tipo: um suave e calmo divertimento. Talvez...
Escrever é um risco. Até que ponto posso e quero expôr-me? Quantas mensagens tenho em rascunho dentro de mim mesma? Às vezes são tão rascunhadas, que nem sei! Coisas incertas, incompletas, coisas que não são definitivas... Coisas ao contrário. Como os míudos que vestem a camisola do avesso:
- És tão despassarado! Andas sempre nas nuvens!
Eu também sou despassarada. Pelo menos a minha tia, a Dolores, dizia-me:
- Marta, és tão despassarada!
Mas eu gosto. Só ainda não descobri se ando sempre nas nuvens ou se sou feita de nuvens. Se calhar as duas coisas. (também gosto disso, do "se calhar").
Bem: pés na terra, que este post é sobre outra coisa!
Este post é sobre uma coisa ao contrário. Essa coisa ao contrário é a que está na fotografia.
Narro:
Este Verão fui a Londres. Pela primeira vez, que não sou cosmopolita (o Alentejo vive em mim, ou a nostalgia dele) nem viajada. E sobretudo - para ser sincera e não romântica - ando sempre tesa (i.e., com falta de dinheiro). Bem: Londres. Para alguém de História da Arte que está a fazer um mestrado sobre museus de arte contemporânea (sim, sou eu) Londres é a Tate Modern. Para alguém que ama Rothko (porque ele também era feito de nuvens), a Tate Modern é uma sala específica. Podemos passar anos a sonhar com uma coisa: uns sonham com o dia do casamento, outros com o dia do divórcio ou com o dia em que o filho nasce, blablabla. Mas existem uns quantos loucos (embora eu não conheça nenhum, eheh) que passam anos a sonhar com o dia em que chegam à sala de um museu. E eu cheguei lá, à sala. De facto posso confirmar que a sala existe. Mas, naquele momento, tudo para mim existiu ao contrário. Ainda não acredito que isto me aconteceu: a sala estava lá, os quadros estavem lá... Mas, qual amante magoado e vingativo, tudo de costas viradas para mim! My dear Rothko... E lá se foi uma oportunidade de êxtase, de lágrima no olho, de contemplação profunda. Tudo o que consegui ver foram as costas do meu amante. (felizmente, o meu legítimo consolou-me dizendo que muito pouca gente teria oportunidade de ver aquelas costas!)
Mas para quem ama, as costas não chegam! Aqueles quadros, feitos da mesma matéria que eu, aqueles quadros que já fazem parte do meu corpo, renegaram-me. Rejeitaram-me. Desprezaram-me. Há muito tempo tempo que isto não me acontecia... E, no entanto, continuam colados a mim.
A vida, às vezes, é ao contrário.

PS - A Tate tem agora (e até 26 de Fevereiro) uma exposição histórica sobre Rothko, que reúne pela primeira vez quadros que nunca puderam ser vistos juntos. Alguém me quer dar uma prenda de anos? Aliás: Uma prenda 2em1 Natal+Anos?

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

At By For Into Around the House


Uma exposição comissariada pelo rapaz cá da casa (não só mas também).
A imagem é da obra do Rui Mourão (uma das que mais gostei).
O blog é este:http://intothehouse.blogspot.com/
O catálogo está aqui*
Para ver até 19 de Outubro no Pavilhão 28 do Hospital Júlio de Matos.
Comissários: Ivo André Braz e Israel Guarda

For reasons of safety, we ask the public not to run or obstruct the runners.


ou:
"O Corpo no Museu"
ou:
"da velocidade na obra de arte"

O corpo foi uma das temáticas mais tratadas na arte do século XX. Não sabemos se voltará a sê-lo neste século.
Este trabalho de Martin Creed relembra essa tematização sobre o corpo, mas é mais do que isso. É sobre o corpo, sobre o museu, sobre o turismo e sobre a percepção.
Quantos corpos há num museu? Os corpos das obras, os corpos nas obras, os corpos dos visitantes, os corpos dos vigilantes, dos monitores, dos conservadores... Como se movimentam e o que fazem? O que é que isso implica na forma como nos relacionamos com as obras.
Aqui, a relação entre obra de arte e visitante inverte-se: agora é a obra que se movimenta, é ela que tem ritmo, que corre, que desaparece.
Longe do museu como local de contemplação da arte "maior", Creed tematiza uma espécie de "bulimia" museal: ver sempre, não importa como, nem a que velocidade.

"In Palermo we went to see the catacombs of the Capuchin monks. We were very late and only had five minutes to see it all before closing time. To do it we had to run. I remember running at top speed with my friends through the catacombs looking desperately left and right at all of the dead people hanging on the walls in their best clothes, trying our best to see it all... it was a good way to see it. It was that kind of delirious running which makes you laugh uncontrollably when you're doing it. I think it's good to see museums at high speed. It leaves time for other things."

Martin Creed, para ver na Tate Britain até 16 de Novembro (ou aqui*)

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Das ist Olafur Eliasson



... na Ellipse Foundation.
(ou sobre a generosidade)
Também com uma exposição no MoMA (aqui*), cujo tema principal, segundo o próprio artista, pode ser encarado como a generosidade: a generosidade de devolver o tempo ao espectador. Refletindo sobre a história dos museus (sim, ela existe!), Eliasson considera que existe um paradoxo: anteriormente os museus coleccionavam objectos da realidade, posicionando-os fora desse mundo onde eram produzidos, agora devem posionar-se dentro do mundo e do tempo contemporâneo mesmo que tenham colecções históricas (é verdade, mas sabemos como isso é tão difícil).
Em "Taking your Time", "it´s not about the museum but about the spectator (...)the museum gives the time back to the spectator."

E mais:
"How can we take part of the art in a way that is both responsible but also has an impact on the world?"

"I would like to make sense of the word by sensing the world"

"We should not be afraid of doing something beautiful."

"A museum, or an exhibition in the museum is a laboratory. One can say it's a different type of studio."

É por isso que eu gosto dele.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Cupidos de Cranach



Cranach é um dos pintores favoritos. Tudo nele é estranho, divertido e ao mesmo tempo sensual! E os cupidos, "roubados" na Gemäldegalerie,quando estive em Berlim, são muito (muito) bons.

sábado, 24 de maio de 2008

Encontrei isto...

"Encontrei isto: "Existem condições em que é concebível estar em dois lugares, ou em lugar absolutamente nenhum."

Eu também encontrei! Mais uma vez, Andrew Renton a escrever para e sobre Ângela Ferreira ("Em Sítio Algum", Museu do Chiado, 2003")

e mais (do mesmo):
"O objecto e o (eu/tu) espectador encontram-se de alguma forma em trânsito. De alguma forma atrasados.
... porque chegamos sempre tarde ao objecto."

(sublinhados meus, a bem do academicamente correcto. Vícios de quem tenta esboçar uma tese de mestrado.)

segunda-feira, 12 de maio de 2008

"Certas coisas, mais vale recordá-las..."

Por causa da tese fui dar com um catálogo da Ângela Ferreira. É de uma exposição no Museu do Chiado, em 2003, com textos de Pedro Lapa e Andrew Renton e chama-se: "Ângela Ferreira, Em Sítio Algum". Andrew Renton (que também é o comissário da exposição "Come, come, come into my world", da Ellipse) publica no catálogo alguns textos/cartas que, na altura, trocou com a artista. Gostei deles.

"Certas coisas, mais vale recordá-las... Digo isto da mesma maneira que costumamos dizer que certas coisas, mais vale esquecê-las; poderíamos estar a falar de história, ou coisa assim. Mas certas coisas ganham em ser recordadas. Ou seja, em serem mais bem recordadas. Melhoradas pelo esquecimento.
O esquecimento permite um tipo de recontar que reclama a posse de um passado puramente em termos de presente. É uma história ficcional, sim, mas que constantemente se reconstitui, em nome de um objecto perdido."

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Sombras à Volta de um Centro


É um livro publicado pela Assírio e Alvim, com os fantásticos desenhos de Lourdes Castro que estiveram, há uns anos, expostos em Serralves. O livro chama-se Sombras à Volta de um Centro e a imagem de cima: Sombras à volta de um centro (Geranium Robert), mede 38,5cm x 57 cm, foi desenhada a tinta-da-china e lápis de cor na Madeira, no ano de 1984 (rigor de historiadora de arte!). Segundo o livro pertencia à colecção Manuel Zimbro, que era o marido da Lourdes. São desenhos lindíssimos, de uma simplicidade quase zen de quem sabe os nomes das plantas em latim e vive na Madeira. Eu também gostava de ser assim, um dia. Enquanto isso, vejo as obras da Lourdes e bebo chá.
Mesmo na página ao lado, um texto de Manuel Zimbro:

“Simplificados por necessidades reais conjuntamente com todas as suas implicações e
possíveis adversidades,
esses exercícios que diariamente têm-de-ser-feitos: comer, dormir, vestir, trabalhar,
habitar…,
só poderão surgir plenos, reais,
sempre na primeira vez e em primeira mão,
de uma existência genuína;
da profundidade de uma observação atenta;
da incondicional confiança na fresca realidade da eterna primeira vez, onde cada agora é
sempre agora, e
não de uma qualquer noção de tempo ou modelo de existência que tradicionalmente
sejamos obrigados a aceitar como fatalidade.”

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

A diagonal do louco


O que é expor? Dar a ver de forma aleatória ou criar jogos, luzes, entendimentos entre obras de arte e lugares, obras de arte e espectadores? Nem todos os espaços o possibilitam, nem todas as obras o permitem, nem todos os comissários o conseguem (ou o ousam). Mas há momentos felizes, em que as obras ganham uma nova vida, os espectadores um novo olhar e os espaços mais magia: Rui Sanches em “50 anos de arte portuguesa” (na Gulbenkian e com Raquel Henriques da Silva como comissária).
O título (do post) é roubado a Hubert Damisch que diz:
“ La diagonale du fou, ou l’hypothèse du musée vu, parcouru, saissi, mais aussi bien déjoué, par la bande. » (L’amour m’expose)

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Dentro da arte




Visito muitas exposições. Passado um ano já não me lembro de nada. Há algumas que ficam, como as da Fundação Tapiés em BCN (a recriação da Factory!) e “Revolution my Body” na Gulbenkian. Não sei porque me esqueço dumas e lembro doutras. Acho sempre que me devia lembrar de todas, porque estudo museologia, porque gosto verdadeiramente de arte, porque sim.
Nunca terei coragem suficiente para ser artista e, provavelmente, nunca serei boa fotógrafa. Mas se a arte me persegue, se está dentro de mim, porque não hei-de eu estar dentro dela?
Mais um auto-retrato em Douglas Gordon, na Ellipse.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Portait of a Performer


(auto-retrato em Hedi Slimane, na Ellipse Foundation)

Arte é arte. A cultura pop é a cultura pop. Hedi Slimane nunca me fotografará, mas eu fotografei-me num obra dele:

“Portrait of a Performer” (ou talvez não).

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Richard Serra


Até 10 de Setembro está patente no MoMA de N.Y. uma exposição retrospectiva do artista Richard Serra. Para quem não consegue lá ir, como eu, vale a pena visitar o site que apresenta a mostra.
Os trabalhos de Serra - esculturas de grandes dimensões em aço - dificilmente podem ser "visitadas" a não ser in loco, mas aqui conseguimos ter uma quase perfeita percepção das obras. Vale a pena perder algum tempo com os vídeos, perceber o tamanho das esculturas, as cores, os percursos... e também um bocadinho do céu de Nova Iorque!!!
E já agora - porque também gosto das fotografias dos artistas - ver (e ouvir) o próprio Serra!
Para quando sites de museus e de exposições assim em Portugal?