terça-feira, 18 de março de 2008

Sair de casa para ir aqui


Umas horas de caminho, só para ver esta exposição.
E vale a pena, ver trabalhos de Rauschenberg que, não sendo aqueles a que estamos habituados, nos ajudam a perceber o processo criativo do artista e forma como ele se envolve com os sítios por onde passa. Fantásticas peças, sobretudo as do período indiano, feitas com tecidos. os "jammers".
Como diz o texto do desdobrável:
"No ashram de Ahmadabad (Índia, 1975), fascinado com a beleza dos tecidos, as suas cores quantes e vivas, os processos milenares da sua tintagem e estampagem, Rauschenberg inicia uma série de colaborações com artesãos locais. Aí terá tido origem a série "Jammers", nome derivado de "windjammer" (veleiro). A metáfora náutica de um veleiro associava um material - o tecido das suas velas - à acção humana e à natureza."
Um senão: o audioguia. Comparado com os dos museus de Berlim, pouco pretenciosos e fazendo a ponte entre o espectador e a obra, o texto de Serralves é pouco prático, demasiado literário. Resumindo: um audioguia não é um catálogo de exposição nem um texto para experts.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Berlim


Depois de um semestre a pensar única e exclusivamente em museus fui a Berlim... ver museus. Mas valeu a pena, sobretudo pela companhia fantástica dos coleguinhas de mestrado (e não só, claro).
Vale a pena ir e vale a pena voltar. Ficou muito para descobrir.

Primeiro post a partir de casa!!!

Depois de anos de infopobreza e a ir a casa dos outros tentar ver e pôr coisas na internet. Agora posso fazer isto a partir do ninho!!!

sexta-feira, 14 de março de 2008

Blume


Lembro desta canção muitas vezes: "if you know my name don't speak it out. It holds a power - as before". Ando a ficar nostálgica... Einstuerzende Neubauten, Blume

Chrysantemum
For you I am a chrysantemum
Supernova, urgent star
Astera Compositae
For you I'll be a dandelion
a thousand flowerettes in the sky
Or just a drop in the ocean
If you know my name
don't speak it out
it holds a power - as before
Liliacea
A lily of the valley
a flower of saron
Helianthus annus
For you I even be a sunflower
Do you hear my enlightening laughter?
another reason to cut off an ear
You know my name, do you not?
don't say it
For it's a sacred, immovable - frozen
Rosa, Anemone et
Nymphea alba
I'll even be a waterlily,
a marygold, a rose
or a little thistle
Euphorbiaa blue dahlia, a black tulip
that's where opinions differ
the scholars disagree
My name, should you know it
remains unspeakable
and it's spoken - malediction

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

...e um


Foi mesmo há um ano que os dois algarismos da idade que tenho mudaram. Só de dez em dez anos é que teimam em mudar exactamente na mesma data, mas parece que não me acontece só a mim. Há até quem tenha mais experiência no assunto, pois foi só a terceira vez que tal coisa me aconteceu. Devo confessar que não me custa muito ir vendo a escala ascendente que levam estes algarismos, pelo menos não no sentido em que fico mais velha. Claro, fico mais velha. Mas também ganho outras coisas. Aos quinze era demasiado idealista, aos vinte acho que não era feliz pelo que estou em crer que me assemelho aos vinhos... (que parvoíce de comparação, mas aos quarenta será melhor).
Pelo contrário, o que realemente me aflige é o que ainda não fiz, o que ainda não consegui comigo, com os outros e com o mundo. Por exemplo:
- não li os livros do Proust
- não vi o Breakfast at Tiffani’s
- não fui a Nova Iorque, nem a Kioto (aliás, nem a Londres. Mas daqui a uns dias estarei em Berlim)
- o meu ordenado ainda nem atingiu os mil euros (nem os 800!!)
- não acabei o mestrado (faltam 4 dias para a parte curricular e 400 para a tese)
- ainda não tenho um cão (e nem um gato)
E, sobretudo, ainda não tenho um bébe a quem dizer que a mãe tem mais um ano, mas não se importa. Assim, se calhar, já me importo mais.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Nada como um bom amuo


Encontrei esta música dos Clã e fiquei muito contente… É que eu sou de amuos e nunca tinha encontrado nada a defendê-los!
Lembrei-me de quando tinha 15 anos, de quando tinha 16, de quando tinha 17, de quando tinha 20, de quando tinha 25… E lembrei-me também que, agora que chego aos 30, reconheço os benefícios de um bom amuo. Para “depois voltar, como se nada fosse, e reencontrar o lugar guardado por um bom amuo”.
(e não me contrariem porque eu não gosto).

“Vejo que estás mais crescida
Já dobras a frustração
Bates com a porta ao mundo
Quando ele te diz não

Envolves o teu espaço
Na tua membrana ausente
Recuas atrás um passo
Para depois dar dois em frente

Amuar faz bem
Amuar faz bem

Ficas descalça em casa
A fazer a tua cura
Salva por um bom amuo
De fazer má figura

Amanhã o mundo inteiro
Vai perguntar onde foste
E tu dizes apenas
Que saíste viajaste

Amuar faz bem
Amuar faz bem

Nada como um bom amuo
Apenas um bom recuo quando nada sai bem

E depois voltar
Como se nada fosse
E reencontrar o lugar
Guardado por um bom amuo”

(a letra é de Carlos Tê e pode ser ouvida aqui. A imagem é um quadro de Kirchner.)

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Dezembro é assim…


… anoitece mais cedo e mesmo que não anoitecesse ficaríamos em casa na mesma.
O computador ligado e eu resisto, sentada no sofá, enrolada numa manta, com o chá à frente… Sim, sou preguiçosa. E não gosto! Não gosto porque no fim do dia, lá para as 11h., começo a ficar angustiada… “era para ter feito a recensão crítica e não fiz”, “devia ter aspirado a casa”, “a roupa está fora do sítio”, “ainda não comecei o trabalho sobre a gratuitidade nos museus”… E vou dormir com isto tudo na cabeça. Depois tenho pesadelos.
Ser preguiçosa é para mim a causa dos meus maiores azares, como não ganhar mais, não ser muito mais culta, não fazer mais do que faço. Apesar disso a maioria das pessoas acha que faço muito: o trabalho a tempo inteiro, o mestrado (a menos tempo do que gostaria), as explicações, o budismo, a casa… Eu, acho que é pouco. Sobretudo começo a pensar se algo disto terá alguma importância.
Talvez importante seja mesmo o chá, o sofá, um cd novo a tocar, as mãos dadas…
(e prometo voltar à recensão, à gratuitidade e ir ver o filme sobre os Joy Division para a semana).