"Do not ask me who I am and do not ask me to remain the same: leave it to our bureaucrats and our police to see that our papers are in order. At least spare us their morality when we write." Michel Foucault
"Durante meses as suas palavras atormentaram-me. A ideia de que alguém podia viver para ser meu espectador era estranha. Mas pensar que ele escrevia a minha história era ainda mais inquietante. Tudo o que fazia ganhava uma importância nova, todos os meus actos eram terríveis, porque se transformavam em palavras."
Deste projecto saíram esta imagens: imperfeitas, nubladas, com cores que não são as de hoje... Mas, para mim, estão maravilhosas!
O Verão ficou longe, mas só agora no resto dos dias deste ano, organizei as fotografias.
Aqui seremos sempre felizes!
... foi passado com uma máquina fotográfica daquelas descartáveis e analógicas. Quando carregava no botão deixava sempre descair um pouco a máquina, mas ficaram algumas experiências bonitas!
Foi uma sorte ter descido a rua naquele dia, àquela hora e ter olhado para a montra da loja em segunda mão em que quase nunca entro. Apaixonei-me logo! Há muito tempo que procura uma cidade de madeira para o Manuel, mas é tudo caro e menos bonito. Esta foi um achado maravilhoso!
Um dos meus objectivos para 2013 foi fazer mais exercício. Comecei a correr porque é grátis, é um exercício ao ar livre e porque é um momento em que não tenho de pensar em mais nada, só em correr. Para mim, tornou-se um exercício de liberdade.
Não fui muito longe (acho que corri umas dez vezes durante todo o ano), mas também não desisti.
2014 está à porta e este vídeo é mesmo inspirador!
"É a horrível força do presente, que esmaga o passado tanto quanto o distancia, e que além disso o falseia sem que o passado possa abrir a boca, nem protestar nem contradizê-lo nem refutar-lhe seja o que for."
"Sim, somos todos arremedos de pessoas que quase nunca chegámos a conhecer, de gente que não se aproximou ou passou ao largo na vida daqueles que amamos agora, ou que então se deteve mas se cansou passado um tempo e desapareceu sem deixar rasto ou só a poeirada dos pés que vão fugindo, ou que morreu para aqueles que amamos causando-lhes uma ferida mortal que quase sempre acaba por fechar. Não podemos pretender ser os primeiros, ou os preferidos, somos apenas o que está disponível, os restos, as sobras, os sobreviventes, o que vai ficando, os saldos, e é com esses pouco que se solidificam os maiores amores e se fundam as melhores famílias, é essa a proveniência de nós todos, produto que somos da casualidade e do conformismo, dos descartes e das timidezas e dos fracassos alheios, e ainda assim daríamos às vezes fosse o que fosse para continuarmos junto de quem resgatámos um dia de um sótão ou um leilão, ou que nos coube em sorte num jogo de cartas ou apanhámos nos desperdícios; inverosimilmente conseguimos convencer-nos dos nossos infelizes namoros, e são muitos os que julgam ver a mão do destino no que não é mais que uma briga de aldeia quando o Verão já agoniza..."
Diz-se que “filho és, pai serás” como uma forma de ameaça, como quem diz: “o que fizeres de mal, também o acharás”. Não costuma dizer-se. “filha és, mãe serás”, mas a genética é uma ciência (talvez exata) e “quem sai aos seus não degenera”.
Se alguém, por acaso, ler este post e não me conheça, fique a saber que sou uma moça pequena (“mignon” para os que costumam ser mais simpáticos): mal passo dos 150 cm e quanto a quilos nem vou dizer para não suscitar invejas de maior… Não é um fator de que goste particularmente principalmente porque passo despercebida em qualquer sítio, às vezes tenho de procurar sapatos em lojas de criança e quando ia a concertos (no século passado) não via nada a não as cabeleiras a imitar o Robert Smith à minha frente…
As piores memórias que tenho de infância relacionam-se com a comida: comer era para mim uma verdadeira seca e uma perda de tempo, demorava sempre horas que me pareciam intermináveis e a única pessoa que me compreendia era o meu avô Cesário que dizia; “A menina já tem avondo, não é preciso comer mais”. Para além disso lembro-me bem do sofrimento dos meus pais quando na rua as pessoas lhes diziam: “mas está tão magrinha, coitadinha!” E estive sempre “tão magrinha, coitadinha” até ter o Manuel (não que agora esteja gorda, mas já escapo aos comentários mais infelizes).
Pela forma como comecei o texto, já devem estar a adivinhar: sim, o Manuel é igual, exatamente igual! Felizmente foi amamentado até (bastante) tarde, mas nunca quis saber de biberão nem sequer de papas Cerelac (incrível, não é?). Acho que até aos 2 anos ele não comeu quase nada e a única coisa que me salvou de ficar neurótica (salvou mesmo!) foi o livro “Mi niño no me come” do Carlos González. A saga continua todas as noites com um novo episódio e recentemente dois novos dados vieram desacalmar-me (esta palavra não existe, eu sei). Primeiro, no colégio, a educadora veio pedir-me muito gentilmente para ele lá em casa comer de faca e garfo: na verdade, se ele comesse, já seria de faca e garfo, mas ele acha que a faca é um foguetão e o garfo é a lua e quando eu digo com cara séria “Manuel, por favor, come!”, ele dá-me um beijinho e cala-me… E no fim, acabo por ser eu a dar-lhe a comida, claro!
Depois, a pediatra (a sério, eu já tinha desistido do primeiro pediatra por causa disto!) achou que ele estava pequeno e lá saímos da consulta com uma requisição para um raio-X e um hemograma, “pelo sim, pelo não”.
E ele come? Sim, ele come: três horas depois e com ajuda, mas come…