sábado, 4 de janeiro de 2014

Ano velho, ano novo

Não era das minhas alturas do ano preferidas, parece sempre que é obrigatório uma pessoa divertir-se por causa de uma mera mudança de calendário. Mas agora chegou o tempo em que dou importância a balanços e em que acho que as determinações são uma forma de avançarmos e de conciliar o nosso quotidiano, sempre tão voraz, com aquilo que realmente queremos para as nossas vidas.

2013 foi para mim um ano bondoso: o Manuel está um rapaz maravilhoso, finalmente comecei a receber de acordo com o meu trabalho e habilitações (embora com um prazo limitado), li mais livros e melhores e escrevi mais no blogue.

Dizem que se deve partilhar as determinações, ou pelo menos escrevê-las, para que, ao longo do ano, seja mais fácil segui-las. Na verdade, na meia-noite da passagem de ano nem sequer me lembrava de nenhum desejo para pedir com as costumeiras doze passas, mas agora parece-me que as coisas já se esclareceram mais na minha cabeça. Assim:

- menos cidade, mais campo

- passear mais

- fazer mais pequenas pausas, passar mais fins-de-semana fora

- vida é movimento: correr e fazer ginástica

- fazer ioga com o Manuel uma vez por semana, com o libro "O meu pai é um biscoito"

- escrever é sempre um exercício de memória passada mas também futura,

E outras que roubei daqui:

- da Susan Sontag: "Starting tomorrow — if not today"

- da Marilyn Monroe : "keep looking around me — only much more so — observing — but not only myself but others and everything — take things (it) for what they (it’s) are worth"

Para planear tudo cá por casa há sempre um calendário (estes são da APCC) e na mala uma agenda (não prescindo de uma em papel, que é onde aponto tudo).

Feliz 2014!

 

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Sem título

"Durante meses as suas palavras atormentaram-me. A ideia de que alguém podia viver para ser meu espectador era estranha. Mas pensar que ele escrevia a minha história era ainda mais inquietante. Tudo o que fazia ganhava uma importância nova, todos os meus actos eram terríveis, porque se transformavam em palavras."

AnaTeresa Pereira, "A Rua sem Nome"

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

A felicidade captada em analógico

Deste projecto saíram esta imagens: imperfeitas, nubladas, com cores que não são as de hoje... Mas, para mim, estão maravilhosas!
O Verão ficou longe, mas só agora no resto dos dias deste ano, organizei as fotografias.
Aqui seremos sempre felizes!





O Verão dele...

... foi passado com uma máquina fotográfica daquelas descartáveis e analógicas. Quando carregava no botão deixava sempre descair um pouco a máquina, mas ficaram algumas experiências bonitas!



sábado, 28 de dezembro de 2013

Sorte

Foi uma sorte ter descido a rua naquele dia, àquela hora e ter olhado para a montra da loja em segunda mão em que quase nunca entro. Apaixonei-me logo! Há muito tempo que procura uma cidade de madeira para o Manuel, mas é tudo caro e menos bonito. Esta foi um achado maravilhoso!

 

 

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Inspiração para 2014


Um dos meus objectivos para 2013 foi fazer mais exercício. Comecei a correr porque é grátis, é um exercício ao ar livre e porque é um momento em que não tenho de pensar em mais nada, só em correr. Para mim, tornou-se um exercício de liberdade.
Não fui muito longe (acho que corri umas dez vezes durante todo o ano), mas também não desisti.
2014 está à porta e este vídeo é mesmo inspirador!

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

"Os Enamoramentos", Javier Marías

"É a horrível força do presente, que esmaga o passado tanto quanto o distancia, e que além disso o falseia sem que o passado possa abrir a boca, nem protestar nem contradizê-lo nem refutar-lhe seja o que for."

"Sim, somos todos arremedos de pessoas que quase nunca chegámos a conhecer, de gente que não se aproximou ou passou ao largo na vida daqueles que amamos agora, ou que então se deteve mas se cansou passado um tempo e desapareceu sem deixar rasto ou só a poeirada dos pés que vão fugindo, ou que morreu para aqueles que amamos causando-lhes uma ferida mortal que quase sempre acaba por fechar. Não podemos pretender ser os primeiros, ou os preferidos, somos apenas o que está disponível, os restos, as sobras, os sobreviventes, o que vai ficando, os saldos, e é com esses pouco que se solidificam os maiores amores e se fundam as melhores famílias, é essa a proveniência de nós todos, produto que somos da casualidade e do conformismo, dos descartes e das timidezas e dos fracassos alheios, e ainda assim daríamos às vezes fosse o que fosse para continuarmos junto de quem resgatámos um dia de um sótão ou um leilão, ou que nos coube em sorte num jogo de cartas ou apanhámos nos desperdícios; inverosimilmente conseguimos convencer-nos dos nossos infelizes namoros, e são muitos os que julgam ver a mão do destino no que não é mais que uma briga de aldeia quando o Verão já agoniza..."