domingo, 1 de fevereiro de 2015

Música para nós

Há muito tempo - 5 anos - que a minha vida cultural é a vida cultural de uma mãe com uma criança de 5 anos. Isto significa duas coisas:
1. Deixei de ir tão frequentemente ver coisas para adultos. À excepção de exposições salvam-se uns dois filmes por ano e uma ou duas peças de teatro, normalmente no Maria Matos.
2. Praticamente não há fim-de-semana em que não tenha programas culturais, só que esses incluem o Manuel.
À partida, esta segunda opção, poderia soar muito mal. Há coisas péssimas só sob pretexto de serem "para crianças", mas a verdade é que descobri que as coisas para a primeira infância podem ser tão maravilhosas e enriquecedoras como as coisas para adultos. Esta descoberta foi feita graças a excelentes projectos que existem pelo país e, mais exactamente em Lisboa: os concertos para bébes do Paulo Lameiro, o programa para os mais novos do Teatro Maria Matos, o Descobrir da Gulbenkian (e sempre, sempre as exposições) e a Fábrica das Artes do CCB (onde me surpreendo e aprendo sempre).
Há gente que sabe que as coisas para adultos também são para crianças e vice-versa, quando isso acontece com músicos, cineastas, encenadores e outros artistas, isso é maravilhoso (e conforta o coração de muitos pais, acreditem).
É isso que me tem acontecido no CCB e que voltou a repetir-se ontem no concerto dos Sete Lágrimas, que tanto eu como o Manuel - menos habituado a ouvir as músicas do grupo - adorámos. É mesmo um projecto sério e de uma óptima qualidade, vale a pena ouvi-los! 
E é tão bom viajar sem sair do lugar!

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Inevitavelmente, balanços...

Este ano, o meu avô sobreviveu, contra todas as previsões e depois de pensarmos que estávamos perto de perdê-lo para sempre.
Este ano, as mãos do meu filho continuaram a crescer, mas continuam a fazer festas no meu cabelo.
Este ano, ele mudou de escola e eu chorei.
Este ano voltei a encontrar-me com a minha melhor amiga de adolescência e continuamos a falar das coisas mais importantes e mais íntimas, das mais fúteis às mais tontas com a mesma leveza, o mesmo sorriso e tudo misturado! Passaram 20 anos, mas podiam ter sido só 20 horas!
Este ano voltei ao ginásio para descobrir que nunca o devia ter deixado.
Este ano, viajei pela primeira vez em trabalho e dei uma conferência em inglês e correu bem.

Para o ano que começa já na Quinta-feira não tenho planos. Estou cansada de fazer projectos que não chegam a concretizar-se. Espero só que a vida me surpreenda pela positiva. Tenho de aprender a dar lugar ao inesperado.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Chegar ao Inverno para lembrar o Verão

[Porque só agora houve tempo de descarregar as fotografias]






E lembrar-me da felicidade que é ver o meu filho correr atrás dos meu avós. E dos gatos que nasceram e que já andam pelo mato.
E esperar que no próximo ano tudo se possa voltar a repetir.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Questões (pós)existenciais

[ao jantar]
- Mãe, o que é que nos acontece depois de morrermos?
- Não sei, filho… Transformamos-nos noutra coisa. Somos feitos de matéria e essa matéria transforma-se noutra coisa: uma árvore, um pássaro ou, se calhar, um peixinho.
- Tens mesmo a certeza?
- Não. Ninguém sabe bem o que acontece depois.

[depois do jantar]
- Mãe, como é que os passarinhos sabem qual é a sua mãe?
- Então, porque é a mãe que toma conta deles. Como é que tu sabes que eu sou tua mãe? Porque desde bebé eu tomo conta de ti, não é? Com os passarinhos é o mesmo.
- Quando eu for passarinho podes ficar ao pé de mim, no ninho?
- Sim, filho, claro!
- Então, eu vou estar no ramo daquela oliveira mais alta, está bem?


(Nunca ninguém tinha combinado comigo um encontro na outra reencarnação! Mas os laços kármicos devem mesmo ser muito fortes!)

domingo, 14 de dezembro de 2014

Os nossos Domingos à tarde

"Mãe, tens deixar os olhos de fora, para ela quando acordar ver onde é que está."

À porta de casa

Nunca tinha percebido bem está mania de por enfeites na porta de casa. Para quem vive num prédio, sobretudo no último andar, a utilidade é praticamente nula. Mas este Inverno, decidi que a quadra incluíria trazer alguma natureza para casa e assim, fomos à "floresta" (a única que há em Lisboa) e trouxemos musgo, ramos verdes e bagas coloridas. Pus mãos à obra e fiz uma coroa que me enche de orgulho sempre que chego a casa.
(Entretanto, as bagas abriram e o M. diz: "Está tão giro, mãe! Parecem cérebros!")

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

A insustentável repetição do quotidiano

Às vezes sinto-me assim, demasiado "atrapada" pela realidade. Não me lembro do termo correcto em português (e nem sequer sei porque o uso em espanhol, vivi em Barcelona menos de um ano e não aprendi castelhano nem catalão). Talvez seja "encurralada", mas é uma palavra feia...
Tenho quase uma vida de sonho: um emprego que gosto, na área que estudei, um filho para lá de maravilhoso e um marido de fazer inveja. Do que sonhava para mim em criança só me falta um quintal e um cão. E no entanto... 
Às vezes parece-me tudo tão demasiadamente igual, tudo tão aborrecido... E sim, eu sei que há maneiras de fazer com que a nossa vida seja fantástica; dezenas de livros, centenas de blogues e milhares de conselhos, mas então? A vida não é um livro de instruções.
Hoje sinto-me uma pessoa chata e desinteressante. 
Quotidiana. 
Superficial.
E nem sequer bonita.
Ou talvez seja só o mundo à minha volta.

(Vou temperar os bifes para o jantar.)