quarta-feira, 27 de maio de 2015

Bloodbuzz

A primeira vez que visitei Mértola achei que podia ficar lá a viver (e talvez trabalhar naquele fantástico campo arqueológico).
A segunda vez que visitei Mértola achei que podia ficar lá a viver.
A terceira vez que visitei Mértola achei que podia ficar lá a viver.
A última vez que visitei Mértola foi na sexta-feira passada. Achei que podia ficar lá a viver.

O barulho de Lisboa tem-me feito imensa confusão.
(E nem sempre acredito que este seja um bom lugar para educar o meu filho)

Talvez o meu coração também seja árabe.




terça-feira, 12 de maio de 2015

Uma casa e cartão e um livro


A história da casa já é longa cá em casa (passe a redundância) e até esteve para ir para o papelão porque já estava muito estragada, mas o Manuel fez beicinho (não consigo deitar nada fora!).
Num fim de semana passado, lá nos dedicámos ao restauro da casa: eu no papel de engenheira, ele no de arquitecto. Acho que resultou e fiquei contente com o resultado.
Ao fim da tarde, acabámos por ir comprar umas mobílias - é verdade que preferia tê-las feito, mas isso poderia ter demorado uma eternidade. Depois, lembrei-me da Senhora Rolha que tínhamos feito há uns tempos e fui buscá-la.  Tendo em conta a forma da figura, logo a rebatizámos de Dona Redonda, que é o livro que estamos a ler agora (talvez um dia fale sobre ele) e com ela foi habitar, na casa, o Monstrengo, um dos personagens da história que, neste caso, é um dragão feito pelo Delphim Miranda.
Ainda nos faltam muitas personagens do livro, mas posso garantir-vos que na casa da Dona Redonda há sempre muita diversão.
(E, sim, isto foi uma desculpa para eu fazer a casa de bonecas que nunca tive).

segunda-feira, 11 de maio de 2015

O Pássaro

Encontrámos o pássaro no Sábado de manhã, mesmo antes de entrar para a piscina. Existem ali imensos ninhos de pardais e, às vezes, os bebés caem no chão. Foi o que aconteceu a este, que estava aflito quando passámos por ele. Peguei-lhe e já não tive coragem de o deixar ali à mercê de um gato, ou de um pai mais descuidado. 
Só ficava quietinho na minha mão, mas conseguimos trazê-lo dentro de um chapéu de palha. Fizémos as necessárias pesquisas na internet sobre "como cuidar de um pardal bebé" e descobrimos que uma tarefa hercúlea se avizinhava: quase nenhuns escapam à morte, devem estar permanentemente aquecidos e devem comer de 20 em 20 minutos! Até de ir ao teatro à tarde tive medo!
Fomos comprar uma papa especial e demos-lhe com seringa, com palhinhas, com o dedo e também demos água a conta gotas. Estive tanto tempo de volta dele, que o Manuel ficou com ciúmes!
Durante a tarde ficou muito quietinho, mas à noite animou e comeu bem. Preparei um ninho quentinho que pus por cima de sacos de água quente, para ele não morrer de hipotermia e até o levei para o nosso quarto, não fosse ele acordar com fome a meio da noite.
Levantámo-nos cedo e logo fomos ver o pardalito, mas ele não resistiu ànoite. Posso tentar encontrar as razões ou saber onde errei, mas não passarão de suposições.
Fiquei triste. Tinha sonhado que ele sobreviveria e que o íriamos libertar no Alentejo, para onde vamos para a semana e onde ele seria feliz! Não correu bem.
Nisto falhei, pobre pardalito bebé.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Vincent

Porque este homem devia ser mesmo muito sensível e o mundo não é fácil para pessoas assim que, por vezes, só os historiadores de arte compreendem!

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Siri Hustvedt


"Toda a história que contamos sobre nós mesmos só pode ser contada no pretérito. É um recuo no tempo do ponto de vista em que estamos agora, quando já não somos mais os actores da história, mas seus espectadores que resolveram falar. A trilha atrás de nós às vezes está marcada por pedrinhas, como as que João e Maria deixam atrás de si em sua primeira ida à floresta. Outras vezes, o rastro desaparece, porque os passarinhos voaram até lá e comeram todos os pedacinhos de pão ao amanhecer. A história sobrevoa as lacunas, preenchendo-as com "e" ou um "então". Fiz isso nestas páginas para continuar numa trilha que sei que é interrompida por fossos ocos e vários buracos profundos. Escrever é uma forma de rastrear minha fome, e a fome nada mais é que um vazio."*

Não conheceria esta escritora não fosse ter uma família culta que me fala e muitas vezes me empresta livros bons.
Sendo uma obra desconhecida, não sabia muito bem o que me esperava quando comecei a ler "Aquilo que eu Amava", mas o meu interesse foi crescendo à medida que avançava na leitura e que a trama do livro se adensava.
A história gira em volta da vida de dois casais amigos. O narrador é historiador de arte e escreve muitas vezes sobre o seu amigo pintor. As suas duas mulheres têm filhos ao mesmo tempo, aparecendo posteriormente uma terceira personagem feminina que casa com o pintor. Os filhos, a vida quotidiana destes casais que vivem no mesmo prédio, as questões académicas e filosóficas ligadas ao seu percurso profissional (pintura, história da arte, psicologia, poesia), tudo cabe neste livro, como cabe na nossa vida e como, estranhamente, acabará por fazer também parte da nossa morte.
Fiquei com vontade de ler todos os livros dela!

Para saber mais: Siri Hustvedt 

(* Li a versão brasileira, que transcrevi aqui)

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Galeano, Eduardo

"O papagaio que brotou da pena
teve penas vermelhas do fogo
e penas azuis do céu
e penas verdes das folhas da árvore
e um bico duro de pedra e dourado de laranja
e teve palavras humanas para dizer
e água de lágrimas para beber e refrescar-se
e teve uma janela aberta para escapar
e voou na rajada de vento."
in História da Ressureição do Papagaio

É um dos livros mais bonitos que temos cá em casa. E, como quase todos os livros que cabem na categoria de "bonitos", é do Manuel. Gosto muito de o ler e a educadora do ano passado chegou a trabalhar com esta história que foi recontada por Eduardo Galeano a partir de uma lenda do Nordeste brasileiro.
Está editado pela Kalandraka e as ilustrações são de António Santos.
Do Eduardo Galeano, existem muitos outros livros para ler e até esta fantástica história dos abraços.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Flores cá de casa

Apanhámos no caminho da escola para casa e fizemos colagens com papel autocolante. Tornou-se um vício.
Há muitas formas de fazer jardins, não há?