quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Pedras, paus e livros.





Nunca fui muito de colocar objectos em estantes, para além dos livros, mas agora parece que a minha casa assume uma vida diferente e que o próprio mundo faz questão de vir habitá-la de uma outra forma.
Desde pequena que acontece apaixonar-me por coisas insignificantes como pedras e paus que se cruzam no meu caminho. Tenho, por exemplo, algumas pedras que trouxe do tempo de Erasmus em Barcelona e que continuam a permanecer cá por casa. Tenho pedaços de madeira que encontro na praia ou raízes que encontro em jardins. Talvez estas coisas que acumulo acabem por me definir, ou pelo menos, ajudam a recordar-me que os sítios por onde passo e o que neles encontro fazem parte da minha história. Tanto como os livros que leio e as personagens que vivem dentro deles. Alguém que entrasse em minha casa poderia traçar um fiel retrato de mim, só pelas coisas que tenho nas prateleiras (sim, especialmente pelos livros, mas também por tudo o que vou acumulando ao lado).
Ultimamente, seres estranhos e materiais de arte vêm também para às estantes, fruto dos gostos do M. que são partilhados pelo resto da família.
E é assim, estas são as nossas estantes, estes somos nós.

E por isso, tudo isto é tão verdade: Our (bare) Shelves, Our Selves

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

os maravilhosos desenhos dele

Quando, no fim do ano escolar, o M. trás as pastas da escola, cheias de desenhos, fico sempre maravilhada. Eu sei que todas as mães adoram os desenhos dos filhos, e que isto não é nada de especial... Mas para mim, que até sou historiadora de arte, são mesmo das melhores coisas que existem.
Ele desenha muito. A nossa casa parece um atelier porque eu nunca o proibi de desenhar em nenhum sítio: existem desenhos na mesa de refeições, nas paredes, na porta de casa, na mesa de trabalho. As outras mães, mais arrumadas e fãs da limpeza devem achar um sacrilégio, mas para mim, qualquer desenho dele é uma maravilha, ou uma tentativa - e ambas são igualmente válidas!
Este ano, com a aprendizagem das letras e a ter de fazer tudo direitinho, tenho alguma receio que os desenhos se tornem menos espontâneos... Ando sempre a espreitar, a tentar ver como as coisas evoluem.
O que eu gostava mesmo, mesmo é que ele nunca deixasse de desenhar!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Cheiros para desembrulhar


As primeiras prendas de natal vêm com o bom gosto e o cheiro da Saponina!

terça-feira, 1 de dezembro de 2015


 Dei por mim a ser a bibliotecária de serviço lá no museu. Receber livros novos, poder lê-los (mesmo que seja em diagonal) é um privilégio. Mas as bibliotecas, como os arquivos, são sítios de arrumação – locais onde tudo tem um lugar próprio e exacto, onde não pode haver dúvidas. Tudo certo, claro. Não fosse o problema de ter um espírito pouco dado a normas e muito dado a dúvidas. Este livro do García Lorca, por exemplo, deu-me voltas à cabeça e ficou à espera durante muito tempo. Ele podia ser catalogado em todas as categorias, mas também não cabia em nenhuma. Ou seja, catalogar García Lorca, embora necessário, parecia diminui-lo, apequená-lo e seria até injusto. Óbvio que tive de o fazer, como o fizeram inúmeros bibliotecários e livreiros antes de mim. Teriam também eles dúvidas? Para me redimir deixo-vos este retrato de olhos doces que é a capa da edição da Assírio & Alvim e isto: “Chegado este momento, vemos os amantes a abraçarem-se nas ondas.” Federico García Lorca

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

do verbo "aborrecer"

Sim. É o tempo outra vez. Só não sei se é o tempo repetido ou só a falta tempo. A última vez que escrevi ainda era verão e ainda podia vestir vestidos às flores. Tudo mudou desde daí, excepto o cd que continua a ser o mesmo no carro. No outono nada me anima, a não ser talvez abrir um romã e olhar espantada a sua cor. Procuro na estante um livro de poesia que não encontro e que portanto não me salvará da monotonia quotidiana. Pilhas de coisas para arrumar. Os desenhos do miúdo que continuam aqui numa pasta, à espera de um post. Fiz uma viagem e ouvi falar outras línguas. Lembrei-me do Budapeste do Chico Buarque - é um livro tão bonito quanto o autor. O rapaz cresce e tem personalidade e exigências - e eu não quero passar o tempo todo em disputas de poder. Aborreço-me, desinteresso-me. A vida não é sempre solar.

domingo, 20 de setembro de 2015

Um livro e uma banda sonora.

Parece que algo caracteriza 2015. Uma ida a Mértola e à feira islâmica, o concerto no Largo do Intendente dedicado ao poeta rei Al-Mu'tamid, que acabou por se tornar a banda sonora inúmeras vezes repetida, a que se juntou o livro dedicado ao mesmo.
Falta-me uma ida a Silves e a Sevilha, que ficarão para outro tempos. Outra vida tivesse e iria aprender árabe.

"Ao recolher-me na escrita, consigo, por vezes, na diversidade das circunstâncias, distinguir uma figura que se assemelha à natureza da pessoa que terei sido. Mas, mal tento chegar mais perto, pareço um viajante a observar uma terra estranha."
Ana Cristina Silva, Crónica do Rei-Poeta Al-Mu'tamid

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Vontade de dançar e de sorrir

"Why can't you take the leaf off your mouth? Now that you have the facts on your side Take a moment to reflect who we are Let reason guide you, See old tracks lead you out from the dark Have a life its life, work makes up you and I What it takes this right, when we need to survive Yeah we flourish and die, what it means to be alive What it means to be alive" José Gonzalez