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sábado, 24 de julho de 2010

18



arguir 1 acusar; 2 censurar; 3 impugnar; 4 questionar; 5 combater com argumentos; 6 criticar; 7 demonstrar

Pois... Confesso que não foi fácil, a defesa da tese. Primeiro, a costumeira apresentação em power point (era tão bom que a conseguisse transpor para aqui) e depois... perguntas, perguntas, perguntas, umas inteligentes, outras nem por isso, algumas sem nexo. Respondi a tudo e mais alguma coisa, mas a verdade é que nos dois dias seguintes continuei a responder mentalmente a algumas das perguntas para as quais achava que a resposta não tinha sido a mais indicada.
Agora já passou. Tenho ainda alguns volumes cá em casa prontos a distribuir por algumas bibliotecas, mas acho que só depois da férias.
Volto a percorrer a etiqueta "diário de uma tese". Terá um fim aqui? Talvez não, talvez de vez em quando coloque aqui algum excerto.
Afinal de contas, tive 18. dezoito. DEZOITO!
Melhor era impossível.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

A defesa


Básico, mas verdade: o que tem de ser tem muita força.
No dia 16 chegou a carta com a data da defesa da tese. É o momento final e mais temido desde que me meti neste mestrado.
Por um lado é óptimo pensar que posso apresentar publicamente o meu trabalho e defendê-lo com unhas e dentes, que vou finalmente ficar livre para as inúmeras tarefas (essencialmente domésticas) que tenho vindo a adiar, para alguns passeios em atraso e para estragar ainda mais o Manuel com mimos. Por outro, as dores de barriga já começaram, imagino a minha garganta a ficar seca no momento da defesa, o coração a querer sair do peito e o pior, não conseguir responder às perguntas que os membros do jurí me fizerem...
Mas, para ser sincera, já tenho saudades de voltar a estudar!

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Et Voilá!



Três anos depois de ter começado este mestrado
247 páginas
7 volumes e 1 cd
343€ em cópias (muitas a cores) e encadernações
2000€ em propinas
Muitos dias de não férias e não folgas
Muitos dias na biblioteca da Gulbenkian (isso vou ter saudades!)
Uma turma cheia de gente fantástica
Uma viagem a Berlim
Muitos livros sobre museus, curadoria e teoria da história da arte lidos

e: apesar de ter ficado com a cabeça em água, é óptimo ver assim tudo pronto e impresso e ficar com um livro (quase) a sério :)))

(a defesa já me dá dores de barriga, que medo)

E para quem quer um cheirinho, aqui fica como começa:
« Devant une image – si récent, si contemporaine soit-elle – le passé en même temps ne cesse jamais de se reconfigurer, puisque cette image ne devient pensable que dans une construction de la mémoire, si n’est pas de la hantise. Devant une image, enfin, nous avons humblement à reconnaître ceci: qu’elle nous survivra probablement, que nous sommes devant elle l’élément fragile, l’élément de passage, et qu’elle est devant nous l’élément du futur, l’élément de la durée. L’image a souvent plus de mémoire et plus d’avenir que l’étant qui la regarde. »
Didi-Huberman, Devant le Temps, 2000, p.10

4 de Fevereiro de 2010

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Trabalho


Ando por aqui, a acabar a tese. A recta final é sempre mais estranha: faltam infinitas pequenas coisas a nível de revisão de texto e formatação. Hoje já sonhei com a defesa (que medo).
Ficou adiada para Fevereiro a lista das coisas que quero este ano (em que quero avançar, em que quero melhorar).
Para Fevereiro, também, mais posts neste blogue e o quarto do Manuel.

domingo, 23 de agosto de 2009

?? Posso fazer parte do grupo?


Nota de imprensa para The Dictionary of Art (1994) in Hans Belting, Art History after Modernism

terça-feira, 9 de junho de 2009

Molder e o outro de si mesmo




A maioria das vezes que saio de casa não levo máquina fotográfica, mas por vezes arrependo-me. Foi o que me aconteceu na passada Sexta-feira.
A primeira oportunidade que perdi foi a de fotografar a Faculdade de Belas Artes, ainda instalada no antigo Convento de São Franscisco e com uns corredores de perder a vista ao fim fantásticos. De qualquer maneira, cumpri o propósito de consultar a tese de mestrado de Bruno Marchand (Entre a experiência artística e a prática curatorial: uma introdução à especificidade da curadoria), incontornável para quem estuda museologia e curadoria (e de muito boa qualidade).
Depois acabei por ir visitar a exposição de Jorge Molder, Pinocchio, no espaço Chiado 8, e perdi a segunda oportunidade (talvez na volte com a máquina). As obras são boas (isso não é novidade) mas funcionam no e com o espaço, valorizando-se mutuamente (mérito do comissário que também é o Bruno Marchand). A programação do Chiado 8 está a cargo da Culturgest, na pessoa de Miguel Wandschneider, e é de louvar como um espaço pequeno apresenta uma tal coerência e exposições de tão grande qualidade, sempre com artistas portugueses e com novos comissários. Outra iniciativa de salientar é a presença online de todos os jornais editados, que se podem consultar aqui. E a entrada é gratuita. (Será que tem mais visitantes que o Museu do Chiado?)
As fotografias são do catálogo de Pinocchio.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Didi-Huberman

"The grandeur and misery of the historian: his desire will always be suspended between the tenacious melancholy of the past as an object of loss and the fragile victory of the past as an object of recovery, or object of representation. He tries to forget, but cannot, that the words “desire”, “imagination”, “fantasy” are there precisely to remind him of a fault that makes constant demands of him: the past of the historian – the past in general – stems from the impossible, stems from the unthinkable. We still have some monuments, but we no longer know the world that required them; we still have some words, but we no longer know the utterances that sustained them; we still have some images, but we no longer know the gazes that gave them flesh; we have descriptions of rites, but we no longer know either their phenomenology or either their exact efficacy value. What does this mean? That everything past is definitively anachronistic: it exists or subsists only through the figures that we make of it; so it exists only in the operations of a “reminiscing present”, a present endowed with the admirable or dangerous power, precisely, of presenting it, and, in the wake of this presentation, of elaborating and representing it”

Confronting Images, p.38

terça-feira, 28 de abril de 2009

Encontrado!!



No meio do caos que é tentar rever um capítulo da tese há mais de um mês e nunca ver o fim à coisa (desde Novembro que não entrego uma única página à minha orientadora!), de mil referências bibliográficas que não actualizei na altura devida (quando as consultei, claro), exitem surpresas que chegam mesmo a tempo: encontrei esta ilustração da Ana Ventura no meio da História da Arte Portuguesa do Paulo Pereira!! Sabia que a tinha e há uns tempos procurei-a, mas foi no Janson - tinha a certeza que a guardara dentro de uma história da arte volumosa, para não a estragar - e agora, que ainda não tenho um bebé nos braços, mas já tenho na barriga, encontrei-a! Até fiquei emocionada! Data de 1996 e foi uma amiga da minha mãe - a São - que ma ofereceu!
Talvez uma dia possa comprar outra para lhe fazer companhia.

sábado, 18 de abril de 2009

domingo, 8 de março de 2009

The dark stand still e Aparelho metafísico de meditação




Passei o dia a seguir visitantes no Museu do Chiado. Já passei alguns dias nisto e este foi o último. Os visitantes gostam das obras, não sei se gostam da exposição. Alguns percebem que é uma exposição. Outros, só obras. O vigilante, que já me conhece pelo nome, perguntou-me quais as minhas obras preferidas. Referi "Lisboa-Oropeza" de Joaquim Rodrigo, "Memory Piece" de Julião Sarmento e as obras do Jorge de Oliveira, artista agora "redescoberto" pelo museu. Também gosto do Lanhas (um dia falo sobre ele) e do Alberto Carneiro e do Miguel Palma (gosto muito de "Mil contos dentro de um cofre"!!!). Gosto de todos. O vigilante disse que aquilo era falta de imaginação. A princípio não percebi se estava a falar da exposição ou das obras. Era das obras: que antigamente a arte era bonita, que as pessoas tinham prazer em ver e agora não, ninguém gosta daquilo e muito menos daquela instalação lá de baixo com aquelas linhas no chão (falava de "Uma linha para os teus sentimentos estéticos" de António Carneiro) e aquilo do cofre também ninguém entende. Disse: "O cofre até pode ser bonito. Mas ninguém percebe, mesmo que a gente explique que tem mil contos lá dentro!"
Fiquei com pena dele. Trabalha ali, passa não sei quantas horas ao pé das obras e não gosta delas. Tem esse direito, claro. Devia preferir o Museu de Arte Antiga. Eu, cá pagava para trabalhar no Chiado. Como não posso, pago para fazer uma tese sobre ele (embora a passo de caracol).
Das observações feitas, acho que a maioria das pessoas gosta e tira verdadeiro prazer, como este pai e esta filha que secretamente "segui" há uns dias.

Observação nº4
Dia: 25-1-2009 (Domingo)
Visitantes: 2, um homem e uma criança
Faixa etária: Homem 41-50 anos, criança: -10 anos
Tempo a ver a exposição: 18 minutos Tempo de permanência no Museu: 42 minutos
Leitura de textos. Inexistente
Percurso: muito errático devido à presença da criança, a que o pai dá bastante liberdade, chamando-a apenas para a observação de algumas obras.
Obras nas quais demoraram mais tempo: Júlia Ventura, João Tabarra, Paiva e Gusmão, Helena Almeida
Obras fotografadas: (não se aplica)
Obras que comentaram em conjunto: João Tabarra, Paiva e Gusmão, Helena Almeida
Obras em que voltaram a parar: Paiva e Gusmão
Observações: Viram a obra de Isaac Julien mas passaram também algum tempo a observar o atelier de família.

12h40 – Entram no espaço expositivo. Não lêem texto de parede e passam rapidamente obra de Alberto Carneiro. Criança segue sempre um pouco à frente.
12h54 – Entram no núcleo “Reversibilidade”. Criança dá uma volta rápida à sala, enquanto o pai observa atenciosamnte a obra de Júlia Ventura.
12h56 – Pai dirige-se ao canto totalmente oposto da sala onde filha observa a obra de Escada.
12h58 – Dirigem-se ambos à obra de Júlia Ventura. Criança observa atentamente as figuras do papel de parede enquanto o pai lê a tabela da obra. Seguem para “Aparelho metafísico de meditação”, de António Pedro.
13h Observam obra de Alexandre Estrela e seguem pela mesma parede, dirigindo-se de novo à entrada do núcleo (num movimento contrário à maioria dos visitantes).
13h01 – Contornam obra de Carneiro, “Raiz, caule, folhas, frutos.”
13h02 – Entram no núcleo “Rebaixamento”. Pai observa obra de Paula Rego enquanto a filha se dirige à obra de Tabarra, chama o pai e comenta a figura do homem a beber água do charco.
13h05 – Comentam obra de Paiva e Gusmão
13h07 – Pai explica à filha como funciona máquina de projecção de 16mm.
13h08 – Pai observa obra de Helena Almeida. Vai chamar a filha, que se encontra na parede contrária junto à obra de Julião Sarmento. Juntos deslocam-se de novo para a obra de Helena Almeida que o adulto explica à criança.
13h09 – Pai segue pelo percurso observando as obras de Cristino da Silva, Pedro Cabrita Reis, Julião Sarmento, Joaquim Rodrigo e restantes obras da mesma parede, num movimento contínuo e contrário ao da maioria dos visitantes.
13h11 – Criança observa de novo obra de Paiva e Gusmão.
13h12 – Saem da exposição.

sábado, 16 de agosto de 2008

terça-feira, 29 de julho de 2008

There is no right or wrong way to visit a museum


Aqui está o velho dilema que Serota também aponta: experiência ou interpretação? Experiência, claro. Mas pergunto: é possível que a experiência seja também uma forma de interpretação?
“There is no right or wrong way to visit a museum. The most important rule you should keep in mind as you go through the front door is to follow your own instincts. Be prepared to find what excites you, to enjoy what delights your heart and mind, perhaps to have esthetic experiences you will never forget. You have a feast in store for you and you should make the most of it. Stay as long or as short a time as you will, but do your best at all times to let the work of art speak directly to you with a minimum of interference or distraction.” (David Finn, How to visit a Museum, New York, Abrams, 1985)
... e a fotografia, de uma exposição no MoMA em 1939, retirada de: STANISZEWSKI, Mary Anne, The Power of Display, A History of Exhibition Installations at the Museum of Modern Art, The Mit Press, Cambridge, Mass.; London, England, 1998

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Diário em três dias...

(Será triário?)

Sábado
Dei a volta à casa toda, com a ajuda do menino, claro. Custa, mas é assim. Afinal de contas é a minha/nossa casa. É a minha/nossa vida.

Domingo
Refiz o plano da tese, que já estava desactualizado e a Professora achou por bem refazê-lo. Já lho enviei e ela deverá lê-lo proximamente. (Está um plano muito exagerado, alguns capítulos terão de ir à vida.)
Comi os melhores caracóis do mundo, que são feito pelo Manel, que por acaso (salvo seja, que não foi nada por acaso!) é meu pai!!! Obrigada! Comi 4 pratos!

Hoje
Más notícias pela manhã: não valia a pena ir ao Museu buscar o material das exposições. Havia problemas a nível informático.
Fui almoçar com a mãe. O bacalhau com broa estava bom.
Meti-me num Centro Comercial - teve mesmo que ser - e passado meia hora já estava a bufar.
Comprei:
- uns ténis (para Londres). Os últimos que tinha comprado eram uns All Star pretos, há 15 anos (ainda os uso!)
- limões
- pimenta preta para pôr no moínho
- duas taças amarelo torrado
- alhos que vêem naqueles sacos de rede roxos, que acho sempre bonitos (mas acabo por deitar fora)
- uma t-shirt cor-de-rosa forte (será magenta?)

Cheguei a casa. Felizmente no mail tinha material sobre algumas exposições. Consegui reconstituir "Meio Século de Arte Portuguesa. 1944-2004". Fiquei contente. Já agora, o blog do Museu: http://mnac-mchiado.blogspot.com. Com o site em remodelação, já fazia falta.
Fiz o jantar: bifes com atum. Agora vou beber um chá e ver se ainda apanho um bocadinho do Weeds.

P.S.(R.) - A esta etiqueta dei o nome de "Dias Úteis" por causa da canção do Sérgio Godinho, que podem ouvir aqui.)

terça-feira, 10 de junho de 2008

O esquema


Hoje, fiz o esquema da tese (aliás, da tese da tese) a partir de Christine Bernier, L'Art au Musée. De l'oeuvre à l'instituution.

"Voilà en quoi la saisie d'une "pensée" du musée reste indispensable: parce qu'elle dialectise l'opposition (maintenant banale) entre vision traditionnelle de l'art et vision novatrice de l'histoire des images, en apportant des réflexions subtiles et pragmatiques à des problèmes que la seule sphère intellectuelle n'arrive pas à solutionner de manière satisfaisante."

sábado, 7 de junho de 2008

Save as

Tese
Capítulos
O Museu como Produtor